terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sempre...


e que comecem todas as merdas de planejamento, estudos, obrigações, insônias, estresses e demais chatices que o mundo moderno nos obriga a dirigir.
e que se repitam todas as músicas, séries de tv, episódios de desenhos, revistas e edições de livros, pois parece que algo inédito e interessante é difícil de ser concebido.
e que haja acidentes de carros, quedas de bicicletas, aviões, trens e plataformas de petróleo, e por que não estações espaciais, já que o caos sempre vai estar lá mesmo onde só há harmonia até hoje.
e que as mães digam sempre a mesma coisa quando sair, que os professores repitam sempre o mesmo assunto por mais que você nunca entenda, que seus amigos sempre tentem te dar lições de moral mesmo você não merecendo (ou merecendo), inclusive com o gato miando sempre da mesma maneira, te deixando na dúvida do que ele REALMENTE quer.
e que as manhãs sempre venham depois do anoitecer, que você pense a mesma coisa toda vez que acorda, que sente na mesma cadeira em todo jantar, que a primeira coisa que faça quando ligar o computador seja abrir o Facebook, e que sempre fique com preguiça quando pensa no trajeto até a faculdade, pois um dia iria enjoar mesmo.
e que sempre comece a escrever da esquerda para a direita, que sempre lave os pratos primeiro, atenda o telefone sempre na mesma orelha, que coloque sempre a mesma banda pra escutar mesmo dizendo que já enjoou, por mais que isso signifique falta de opções.
e que sempre lave a cabeça primeiro no banho, use sempre o mesmo pijama nos finais de semana, corte o cabelo da mesma maneira, sempre erre a mesma palavra quando digita, e decore números de pessoas que você nunca vai ligar, nunca mesmo.
e que seja mais difícil se diferenciar de todos os outros do que sentar e aceitar ser uma cópia mal feita do cara do seu lado.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Carnival Concept


Hoje todos vestem suas máscaras. Fuliões de seus próprios carnavais se divertem em ruas iluminadas pelos sorrisos dos transeuntes que em volta comemoram sem fim.
Usam as mesmas máscaras de outros carnavais, outros sorrisos. Reutilizadas, já que um dia pareceram funcionar.
Eu, que nunca fui fã, desta vez decidi cair na folia. Sem a necessidade de máscara, apenas usando o sorriso de outrem.
E os sorrisos que em volta regurgitavam raios de luz pelas ruas se apagaram, restando apenas um.
Olhos negros de luzes cintilantes, clareavam o caminho escuro da noite de Sexta-Feira como se fosse meio dia.
Corriam Em minha direção, lançando com o balançar da cabeça feixes para todos os lados: paredes, calçadas, janelas.
Seis ou dez dias depois eu acordo, meio zonzo, tentando entender o que aconteceu e por quanto tempo.
Com o passar dos dias tudo vai voltando a fazer sentido, restando na memória os momentos em que aqueles olhos iluminaram o meu carnaval.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

What's next?


Relatividade.
Mundo onde tudo é "talvez".
Pode ser que seja, pode ser que não seja. E pode ser que seja algo entre essas duas definições. Ou pode ser que seja mais uma infinidade de opções dentre estas anteriores.
Ser relativo é jogar a decisão ao vento, e ver até onde vai. Igual aquele aviãozinho de papel que nunca voa em linha reta.
É achar que suas emoções mudam a forma como o mundo funciona. Que as leis da física se contorcem ao ver que você está triste, excitado, feliz, com raiva, ansioso.
A espera por aquela pessoa tão desejada demora milhares de horas a mais nos dias que antecedem em relação a dias anteriores que passaram voando.
Espectativa que antes do momento os ponteiros do relógio retardam, que pára durante, e acelera enquanto acontece. O lamento de que a vida passa diante dos seus olhos e não deu tempo de ver a chuva lá fora.
Sinto os minutos se arrastarem enquanto escrevo, e ficará pior depois que relê-lo.
Mas como tudo é relativo, minha opinião também pode ser.
Ou não.
A única coisa imutável é o passado. Olha-se para trás e vê que tudo foi e será sempre da mesma maneira. Sem ferramentas para serem usadas.
O jeito é as vezes andar de costas, pois se eu olhar para trás ainda será futuro.
E tudo pode acontecer.
É relativo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Boom Diiaaa

Acordei as 07:10. Desliguei o despertador 4x.
Espalhados de propósito pela casa, levantei e desliguei seguidamente cada um deles. Até na casa do cachorro tinha um (que não escutei, o que me faz pensar que ele engoliu ou fez algo do gênero).
Logo fui para a mesa tomar meu café da manhã.
NOTA:
Se fosse nos EUA: fatias de bacon, suco de laranja em Jarra ou Minute Maid e Waffers com Mel.
Se fosse na Argentina: tudo em cima da mesa não teria sal, acompanhado por suco de Pomelo (e não teria café).
Se fosse em Tijucas do Sul: café preto e carne de porco com farofa.
Se fosse em Santa Catarina: polenta com leite, café com muito leite e pão caseiro de batata.
E na minha frente havia uma fatia de pão meio murcho, Nescau com leite gelado e um pote de requeijão. A bolacha sortida me lembrou as de milho verde (se alguém gosta daquilo por favor se manifeste, você é bizarro).
Se arrumar, pegar o celular (por vezes esquecido), pegar a mochila (mesmo que não haja nada útil dentro dela), pegar a bike e sair. o guarda-chuva eu nunca pego; sempre acaba se destruindo na primeira rajada de vento. ¬¬
A lacuna que se segue refere-se ao dia de trabalho.
Nada importante para dizer, nada importante que alguém queira saber, ou são muitos detalhes que não valem a pena comentar.
Durante o dia, todo o planejamento da rota de bike até a faculdade. Esta que sempre é adiada por vários fatores, dentre eles a preguiça, falta de organização do tempo, clima instável de Curitiba e, é claro, o estado da bike em si.
A noite é preenchida com faculdade, com faltas na faculdade, com cochilos na faculdade e com decepções com os colegas de grupo, na faculdade.
Durmo na ida, durmo na volta, durmo durante, e as vezes antes das onze da noite. Mas nunca durante o dia. Nunca diga nunca, mas é quase nunca. É apenas um código de conduta.
Mas antes de dormir para começar outro dia, preciso reescrever o texto:
Acordo e vejo que há mensagens dela: Abro um sorriso.
Mando recado e ela responde: Abro um sorriso.
Almoço e a conversa continua: Cheio de sorrisos.
Aula? Sim, mas com sorrisos, inevitavelmente.
Dormir de novo? Só depois de fechar os olhos,
sorrindo.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

@!@


As peças vão tomando suas respectivas e individuais formas e você observando atento, do lado de fora do vidro, todo um mundo em miniatura se criando e vertendo vida.
Quando olha pra cima, vê você mesmo se observando. Tudo da mesma forma, tudo dentro deste mundo, mudando e constituindo consistência.
E novamente olhando para cima, a cena se repete, e se repete, e repete, e repete.
E a cada vez que toma consciência de que está do lado de fora, se joga com todas as suas forças para dentro de sua redoma. Mergulhando de cabeça, corpo e alma, de onde não quer sair.
E mesmo assim a cena se repete e se toma por conta que ainda continua fora. E lá embaixo está você olhando pra cima, se vendo.
Num ato súbito acaba por quebrar o vidro, sem mais nenhuma escolha dentro do desespero que lhe cerca.
A partir desse ponto, tudo que você havia guardado, esperado pelo momento certo, segurado em seus braços com cuidado para não quebrar se espalha pelo ar, lhe preenchendo os pulmões com lembranças mergulhadas num perfume adocicado, envolto por vários tipos de sensações.
Se sente tonto por ser tão intenso, e acaba por ser consumido em sua totalidade, se derramando pelo chão, imóvel.
Atordoado por tudo que um dia achou que não aguentaria carregar de uma vez só, se levanta.



E novamente olhando para cima, a cena se repete, e se repete, e repete, e repete...

sábado, 30 de julho de 2011

Parque de Diversões

O fétido odor que sentes não vem do corpo.
Não vem das mãos; você não toca em nada a muito tempo.
Vem de suas memórias, seus pensamentos. Nada mais do que remoer o lixo atrás de comida, para saciar seus sonhos vazios, esvaziados por objetivos voláteis e sanguessugas travestidos de confiança.
O chorume escorre pelos seus ouvidos e sua boca.
Antes, saíam palavras doces. Hoje, amargam mais que pimenta.
Os olhos veem numa fumaça constante que encoberta medos e demônios.
Nunca sai do seu quarto. E até que isso combina com você. É tão claustrofóbico e escuro que ninguém acaba te incomodando. O fedor também ajuda a espantar as pessoas.
Ouvi por aí boatos que você guarda coisas mortas. E até que isso combina com você. Consigo os ver, jogados pelos cantos.
O seu gato que você nunca conseguiu se desfazer. Já fazem o que - cinco anos que ele está morto?
Vejo jogadas roupas velhas, brinquedos empoeirados com aparências macabras por causa das sombras que em seus rostos sintéticos refletem.
Vejo uma bicicleta estragada que só usou uma vez. Uma ex namorada, comidas e garrafas de whisky.
Vejo você jogado entre eles feito um jardim de margaridas, todas banhadas pelo brilho tímido de uma pequena faixa de luz que sai de uma das frestas da cortina.
Deve ser dia lá fora.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Wake up dreamer. We're here.

depois de dois anos, se deparou acordando com uma única lágrima que escorria por onde antes só haviam beijos e promessas.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Menina da janela

Quantas vezes você já se perguntou, olhando para algumas pessoas que transitam contigo pela rua, como era a vida de cada uma delas?

Eram rostos desfigurados, sem expressão além de cansaço, estresse, angustias e sempre apressadas, sem ter tempo de saborear o café da manha antes de ir trabalhar, sem dizer bom dia para quem visse à sua frente. Ou quem sabe uma vida solitária, sem família ou amigos, sem cachorro ou gato, sem imagem no espelho.

 Já conheci pessoas que fingiam andar acompanhadas na rua, e mais tarde entendi que apenas se mantinham sozinhas para ter alguém com quem conversar.

De certo modo eu me reconhecia em cada uma delas. Era o preço a pagar por viver dentre eles.

Por essas e outras que um dia, parado distraidamente num cruzamento no centro de Curitiba, deparei-me olhando para um prédio logo a minha frente.

Analisei-o, e analisei eu mesmo, para entender o que havia me chamado a atenção.

Ele não possuía nada tão diferente dos outros ao redor, pois era cinza como todos, com aqueles jardins que tentam dar um ar de “minha sonhada casa”, deixando transparecer todo o vazio de estar no meio de uma selva de pedra, e não, não era o seu lindo jardim, o qual você passaria horas do seu dia aproveitando cada raio de sol. Era apenas cheio de janelas sem qualquer adereço que as diferenciassem uma das outras, como se em cada uma daquelas janelas morasse uma família exatamente igual à outra que mora ao lado, e assim se multiplicando andar por andar, sem qualquer distinção.

Seria só isso que seria possível observar se não fosse pelo fato de uma bela moça que apareceu em uma das janelas no exato momento que lá estava eu parado, olhando.

O semáforo de pedestres piscava em vermelho pela segunda vez desde que eu estava ali.

Logo que ergui os olhos e a vi, não consegui calcular em que andar estava.

Ela fixou seu olhar no meu e durante uma boa dose de segundos ambos ficaram paralisados, embriagados. Uma boa dose de curiosidade capaz de embebedar qualquer um.

Não imagino o que se passava em sua mente, mas na minha era de pura surpresa, pois ela era extremamente bonita.

Possuía cabelos ruivos, quase alaranjados, curtos e com estilo repicado, com as pontas caindo sobre os olhos, um nariz fino cirurgicamente alinhado com as formas do rosto, este recoberto por pequenas sardas que davam a ela um toque especial.

Até agora não entendo como notei tantos detalhes mesmo ela estando tão distante acima dos meus olhos.

Não sei por mais quanto tempo ficamos nos olhando.

Tentei imaginar o que fazia ela me olhar tanto. Talvez ela sempre olhasse para muitos da mesma maneira, todos os dias.

Por um momento achei que ficaríamos ali, parados, por toda a vida, cada um em seu mundo de admiração, onde nada acontecia ao redor. Era uma sensação de que estávamos nos conhecendo profundamente, trocando experiências e confidencialidades.

Percebi que ela se deteve olhando para trás por alguns instantes e voltando a me ver, sorrindo, para logo depois desaparecer por detrás das cortinas.

Desconcertado, olhei para o chão para tentar notar quanto tempo eu estava ali parado e se alguém mais havia percebido tal cena. Senti-me constrangido de ser o único a ficar olhando para cima, enquanto os demais pedestres andavam apenas para frente, de cabeça baixa.

Voltei o olhar para o prédio para tentar achá-la, e mesmo não sabendo se eu olhava agora para a janela certa, nenhuma delas estava aberta.

Parado ali na rua eu não sabia o que fazer. Desejava, mas rejeitava olhar novamente para cima e ver que ela nunca mais voltaria.

Ela me fitou com a mesma intensidade que eu a admirei. Eu sabia disso. E queria que fosse assim.

Urgiu uma curiosidade enorme de saber quem era ela. Não queria saber o seu nome, esse era um mero detalhe. Queria mesmo saber quem era de verdade, sua essência, seus defeitos, sua maneira de andar, sua caligrafia, quais seus vícios, seus sonhos, sua voz.

Seu sorriso novamente.

Eu só realmente percebi o que estava fazendo quando o prédio estava ficando cada vez maior e por fim me vi no hall de entrada. Que absurdo.

O que eu estava pensando em fazer? Ir atrás dela? Você nem sabe que andar era. E o que você diria? E se ela repudiasse esse ato? E quem não acharia um ultraje?

Curiosamente o portão de entrada estava aberto. Não havia ninguém na recepção. Não havia barulhos que delatassem a presença de alguém. Nada.

Naquele ponto eu já estava achando aquela situação uma grande piada. Eu até poderia ser preso caso alguém me encontrasse ali, invadindo propriedade privada. Invadindo vidas.

Mas mesmo assim, observando o saguão sorrateiramente, busquei logo onde estaria o elevador.

Mantive o olhar, indo da esquerda para a direita. O encontrei no final do corredor, que era iluminado com duas lâmpadas de parede, dando a aquele caminho parcialmente iluminado um ar mais misterioso ainda, pois só iluminava as portas do elevador.

- Ele já estava ali me esperando o tempo todo - pensei.

Bem iluminado e com um enorme vidro na parede ao fundo, como todo bom elevador. Mas ele era muito maior do que eu poderia suportar.

As portas se fecharam.

Olhei para o chão, como sempre fazia quando não sabia o que fazer.

Olhei para trás e vi meu rosto no espelho.

Havia ali uma pessoa estranha. Olheiras de um dia estressante, com suas mãos enormes e frias, e um sorriso diabolicamente provocante, talvez de desespero.

Observando pessoas durante aquele dia, me perguntava agora no fulgor do momento se talvez eu fosse apenas um mero personagem, normal, insignificante, dentre milhares, e que por razão ainda profundamente desconhecida, está neste momento indo em direção a ares inóspitos, procurando por um “eu” ainda desconhecido, mas familiar.

Respirei fundo. Estava finalmente ali, estivesse fazendo a pior burrada da sua vida ou não, era a partir daqui que eu deveria continuar e nunca retroceder.

Dei uma olhada para o painel e lembrei que não fazia idéia de qual andar eu deveria tentar. Havia muitos. Começavam no número um e iam até o quinze.

Só me restou fechar os olhos e respirar fundo novamente.

Voltando a visão do chão para o painel, apertei o botão com o número sete, que se iluminou logo sem seguida com um neon azul.

Com um barulho, que me pareceu um estrondo, o elevador começou a subir.

Como ela me receberia? Qual era o número do apartamento? Estaria sozinha? Era casada?

Por que diabos eu realmente estava fazendo isso?

Os quase eternos segundos se passaram. E enfim a porta se abriu.

Será esse o andar certo?

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Harmonia

(...) e a sala toda se enchia de tinta. Parecia vir de algum ponto do teto, e se espalhava por todos os lados, escorrendo pelas paredes e inundando o chão. Não conseguia observar um possível começo de onde jorrava, e nem um lugar por onde aquilo esvaziava, mas a sala continuava íntegra, sem acumular uma única gota. Era como se exatamente a mesma quantidade de tinta entrasse e saísse, numa espécie de controle perfeito. Olhava para os lados, para cima, e era a mesma visão: dezenas de misturas de cores, todas fluindo em perfeita harmonia, misturadas como se fossem um rio ,em alta velocidade, descendo pelo vale. Não haviam portas ou janelas, e se haviam, estavam encobertas por esta cachoeira colorida.
A sala tinha a forma de um cubo, de aproximadamente uns 3x3 metros. Tinha a iluminação um pouco mais fraca do que a de uma sala comum, apesar de não haver lâmpadas e nenhum tipo de orifício por onde poderia entrar qualquer tipo de luz.
A dança das cores que se formavam com a mistura me deixara extasiado. Vinha uma vontade misturada com curiosidade de tocá-las, sentir aquele líquido que parecia tão leve e ao mesmo tempo viscoso, misturado com o cheiro forte e característico. Só o andar sobre aquele mar de cores já me deixava inseguro, tendo a impressão que a qualquer momento eu poderia escorregar e me esborrachar no chão, não sabendo ao certo o que aconteceria ao tocar naquilo. Nisso, fiquei imóvel por muito tempo. Olhos e narinas apostos, absorvendo cada mudança com a máxima atenção. Mas aquilo me cansava. Nada mudava e parecia que eu estava sendo testado, como uma terapia agressiva de controle emocional.
Já com dores nas pernas de permanecer por muito tempo de pé, comecei a procurar algum espaço no chão onde pudesse descansar, sem que tivesse que encostar naquela substância, algo como um degrau ou objeto elevado da superfície. Olhando para o chão por alguns segundos a procura de alguma coisa, não me dei conta que algo bastante curioso havia acontecido. Quando voltei a olhar em volta, tudo havia sumido. Toda a tinta, todo o cheiro de tinta, todo aquele mar de cores se transformaram em paredes cinzas, e onde só haviam misturas de cores nas paredes, apareceram uma porta à frente e uma janela à minha direita. Com uma cara de espanto, e sem entender mais ainda o que estava acontecendo, me dirigi em direção à janela quase que instintivamente. Ela parecia estar vedada com alguma tinta escura, e pelo lado de fora, pois ao tocar no vidro, ele ainda era como um vidro qualquer, liso e gelado, mas totalmente preto. Não haviam trancas, pegadores, fechaduras, nada. Uma janela comum com vidros escuros. Desistindo de tentar entender o porque de uma janela estar daquela forma, me lembrei e fui diretamente para a porta, na esperança de estar destrancada; ou se não estivesse, tentar algum artifício para minha fulga. Mas logo que cheguei em frente dela para tocar o trinco, a luz se apagou.
Deve ter demorado um segundo, ou meio segundo. Minha noção de tempo estava ficando distorcida dentro daquela sala. Quando tudo se iluminou novamente, para minha surpresa, e não menor do que as surpresas anteriores, tudo estava exatamente como antes: correntes de cores escorregando por todos os lados, sem brechas, sem buracos, cobrindo cada milímetro de toda a superfície da sala. Na ânsia do desespero de escapar, enfiei as minhas mãos na parede onde havia a tal porta. Minhas mãos afundaram até a altura do cotovelo, bem além de onde teoricamente estaria a porta. Elas se encheram daquele líquido viscoso e gelado, numa sensação estranha, quase indescritível. Era frio, e estranhamente ele parecia uma massa gelatinosa, pois quando retirei meus braços, ele retomou a forma anterior deslizando pela parede como sempre estava, e nada restava nas minhas mãos. Estavam limpas exatamente como antes de colocá-las sem pensar em direção àquela extinta porta.
Meio preocupado, pois a cada segundo eu ficava mais confuso, me dirigi ao centro da sala como antes estava, tentando organizar as poucas peças do quebra-cabeça que possuía.
Neste momento, aquele fenômeno estranho começou a agir novamente. A luz da sala começou a apagar e acender com intervalos de um ou dois segundos. E a cada novo apagar de luzes, alternadamente a tinta sumia, e apareciam novamente a tal porta e janela.
Fiquei estático. Que diabos?
A cada apagão de luzes, que agora começava a perder a continuidade e ficava cada vez mais instável, o intervalo de tempo entre os apagões começou a ficar irregular, as vezes demorando muito tempo com tudo em completa escuridão, e as vezes piscando tão rápido que me faziam pensar que minha visão começava a falhar.
De repente tudo parou. A luz sumiu, o som sumiu. O cheiro de tinta também misteriosamente sumiu. Atento caso alguma mudança repentina acontecesse novamente, eu fiquei imóvel esperando mais alguma coisa bizarra, nessa situação bizarra. Eu não sei ao certo quanto tempo passou, minha percepção de tempo estava distorcida, mas acreditou que foi algo em torno de vinte minutos mais ou menos, pois logo após isto, a luz voltou. Novamente não havia mais indícios de tinta em lugar nenhum, e retornava a morta cor cinza claro para todo o lado: teto, paredes e o chão. Na realidade eu nem sabia mais distinguir o que era parede de teto e chão de parede. Acho que apenas a noção de gravidade é que me dava um pouco de lucidez.
Finalmente me sentei no chão com as pernas cruzadas e soltei a respiração, cansado, exausto dessa situação. Quanto mais eu tentava entender, mais maluco eu parecia ficar. E ali eu fiquei, relembrando minha falta de habilidade com o tempo, por mais algumas horas. Ou dias. Ou...não sei. Alguma coisa.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Serial Killer olha para suas mãos, agora ensanguentadas, e sorri, satisfeito:
"- Não há nada melhor do que viver!"

quarta-feira, 3 de junho de 2009

E o bilhete ainda estava sob o vidro da mesa. Os contornos de sua letra ainda não haviam se apagado e pareciam nunca perder o brilho.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Sweet Dreams

Está escuro. Sinto sua respiração quente e o tato de sua mão que descança em meu peito. Ela está sob sua fronte, numa tentativa inútil de se proteger de algo que não existe.
-Amor, acorde. É hora de ir.
-Não. Não vá. Fique. Eu quero você aqui, nem que seja por apenas um segundo.
E por um segundo eu fiquei, o suficiente para nunca mais voltar.
Para nunca mais voltar a pensar em ir embora.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Test About the End of the World

Acordei, meio zonzo como sempre, mas com uma idéia firme na cabeça:

- Hoje eu vou matar alguém!

Não sei se foi algum sonho, ou algo que me veio do subconsciente, mas esta idéia estava tão concreta em minha mente que parecia não haver razão para viver se não a executasse. E logo. Teria que ser hoje, sem falta.

Poderia ser qualquer coisa, qualquer um. Homem, mulher, criança, animal doméstico, inseto, uma ave. Eu precisava, eu tinha que saborear a sensação de tirar a vida de algo. Era como um desejo divino, vindo enquanto eu dormia. Servir à Tânatos, o Deus da Morte, quem sabe. Ou à qualquer outro Deus, que queira extravasar sua raiva e precisa colocar a culpa em alguém.
Desse modo, segui para a cozinha. O primeiro objetivo era tomar café. Café é um modo de dizer, pois não gosto de cafeína; poderia ser um chocolate quente, cairia bem. O segundo objetivo era começar a observar quem seria o meu alvo. Poderia ser qualquer um SIM, mas caso eu escolhesse o ser errado, poderia simplesmente me arrepender e isso acarretaria num peso moral muito maior do que poderia suportar. Eu sabia que coisa boa não viria depois que eu matasse alguém, então eu teria apenas uma chance para realizar tal ato, e teria que ser o melhor alvo, a melhor escolha, a única escolha.
Logo que cheguei à cozinha, mamãe estava postando a mesa com deliciosos biscoitos e uma jarra de suco de laranja.
Ok, pode soar sombrio ou talvez frio demais, mas ali eu observei uma possível vítima. "Por que não?", pensei. Nota-se que ela ainda sofre daquela depressão depois que papai morreu. Volta e meia começa a chorar, gritando que sua vida não a merece, que não há nada mais para viver. Eu poderia muito bem livrá-la desse sofrimento, que para mim também é um, já que não é nada confortável vê-la desse jeito e não poder fazer muita coisa para ajudar.
Claro que esse pensamento já se foi, pois por mais que eu pense, nunca conseguiria levantar um dedo em sua direção. Mãe é mãe, é contra a leia da natureza, não tem como.
Logo tirei isso da cabeça e fui a procura de um novo indivíduo.
E nessa procura, saí de casa e fui para rua.
Era sábado, então não havia colégio. Uma pena, pois eu teria achado minha vítima sem problemas. Quantas pessoas eu nem conhecia e nem fariam a diferença vivas ou mortas? Poderia ser alguma menina chata e patricinha, ou algum guri meio burrinho ou algum valentão que só arranja encrenca, e isso seria um alívio para o mundo. Quem imagina como vai crescer um cara que desde pequeno quer mostrar para o mundo que ninguém é melhor do que ele? Posso estar parecendo o Raito¹. Pode ser isso a razão dessa vontade estranha, vindo das profundezas da minha mente, mas isso não interessa mais. Já passou do ponto da vontade, porque agora se tornou uma obsessão.
Como não sabia onde cada colega morava, decidi andar pela rua mesmo, buscando pessoas, animais, ou qualquer outra coisa que respirasse. Plantas não valeriam a pena. Por mais que já esteja provado que estão vivas, não tem como saber com exatidão quando morrem. Elas não possuem o último olhar do sopro de vida, então não tem graça.
O primeiro que vi andando tranquilamente pelo acostamento era um senhor de idade. Nome: Alberto. Idade: acho que beirava os 80. Morava sozinho depois que sua esposa morreu ano passado. Não me lembro da causa, mas deve ter sido câncer. É sempre câncer.
Já desisti da idéia de imediato. Que graça tem matar um velho de não pode se defender. Posso estar sendo um sádico, mas tenho honra (e um pouco de dó também, confesso).
Nessa hora eu já estava começando a ficar irritado. Havia mulheres com suas crianças, homens engravatados, com rostos cinzas de stress indo trabalhar, carros e mais carros, e nada que envocasse em mim a paixão de querer fazer o que precisava fazer.
Ok. Chego aqui a mais uma contradição. Que diabos eu estou querendo fazer? Por que diabos² eu preciso matar alguém? De onde veio essa idéia ridícula? Quem sou eu para querer/poder fazer algo desse gênero? Não cabe a mim o poder de decidir a vida de alguém, por mais que ela mereça ou não tenha significado para minha vida. Eu não posso fazer isso. É, não vou fazer. E é melhor eu ir para casa antes que me arrependa.
Lá estava eu novamente em casa, no meu quarto, deitado em minha cama. De olhos abertos fitando o teto, fiquei pensando nas razões de eu ter acordado com tal desejo. Não havia nenhuma razão aparente, nenhum trauma recente e nem raiva.
Isso me perturbou por um bom tempo, na verdade ficou batendo na minha cabeça por quase 40 minutos, quando decidi sentar na cadeira giratória para poder escrever um pouco, coisa que sempre faço diariamente para aliviar meus pensamentos.
O incrível disso tudo é que as coisas na minha cabeça sempre vem em questão de segundos, ainda mais quando me sento para escrever. É botar o lapis na mão que já começo a rabiscar qualquer coisa que seja. Mas hoje foi diferente. Acredito que devo ter ficado uns 35 ou 45 minutos esperando algo vir, e nada veio. Simplesmente nada.
Isso foi tão frustrante, tão aterrorizante, que me provocou uma raiva, um ódio sem tamanho, que o lápis que estava em minhas mãos se partiu cirurgicamente em dois, bem no meio.
É claro que eu me assustei. Eu não imaginei que aquilo que sentia poderia ser transferido para minhas mãos daquele modo.
De imediato eu me dei conta do poder que tinha. Eu poderia matar qualquer um que eu quisesse, não importando onde o ser estivesse, como se vestisse, e nem mesmo se ele algum dia existiu. Eu tinha o poder de criar. Eu tinha o poder de escrever, e isso era um poder ilimitado e sem dimensões.
E enfim lá estava eu, realizado com tal descoberta e já saboreando novamente aquela vontade louca de cometer um assassinato, quando me dei conta e entendi tudo claramente daquele momento em diante:

- Ops! Quebrei o lápis.

- Estou morto.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Look at the window. Tell me what you see.

Acho que chegou a hora de admitir. Não tem mais porque esconder uma coisa que ficou por tanto tempo tão evidente. Todo mundo notou a diferença quando tudo aconteceu. Não dava para esconder de mais ninguém. Foi um choque. Foi um susto. Mas aqui eu falo, sem mais delongas, sem mais vergonhas, sem mais fingimentos.
Estou com saudades.
UMA RÁPIDA NOTA SOBRE A PALAVRA SAUDADE
Saudade s.m. lembrança nostálgica e, ao mesmo
tempo, suave, de pessoa ou coisa, distante ou extinta.
Pesar da ausência de alguém q nos é querido.

Saudade. Isso dói.
Admito que isso foi bem gay, mas é uma verdade irrevogável. Doi mesmo, e dói onde todo mundo é frágil. Onde não temos quase nenhuma defesa. Seja ela velha, nova, mulher, homem, musculoso ou atlético, essa pessoa vai sentir, pelo menos algumas vezes na vida, essa sensação. Sentimentos são coisas complicadas. Uma leve dor e podemos derrubar esta pessoa por muito tempo. Algumas já são vacinadas. Outras ainda não experimentaram todos os níveis. Tem gente que nem conseguiu sobreviver em todos esses níveis. Quem supera, ou é chamado de vitorioso, ou de amargo e ranzinza.
Mas este não é um texto das definições da saudade mas sim do meu atual estado sentimental.
Saudade. É o que eu sinto hoje.
E isto se deve a momentos que eu tive no passado e que não tenho mais.
Eu via ela em tudo que é lugar, praticamente. Quando eu ia no shopping, passar as tardes de um fim de semana agradável. Ou quando eu andava distraído pela rua XV. Dia nublado, dia ensolarado. Chovendo ou fazendo muito frio. Toda hora poderia ser uma chance de ver ela. Da forma mais inesperada.
E eu me parecia muito com ela. Muitas semelhanças.
Compartilhavamos muitas coisas parecidas. Sempre achei dificil achar alguém que tivesse tão em comum comigo.
Era música, gestos. Passatempos inúteis ou dias de estudo. Momentos e extrema alegria, outros de total solidão. Mas ela estava sempre lá. Disposta , sempre me dando apoio. Nunca me senti sozinho com ela.
Mas agora é tudo tão diferente. O frio parece mais cortante do que nunca. Vem pela nuca e arrepia até as pontas dos pés. Me sinto sozinho, realmente.
Só se dá valor quando se perde. Essa era uma frase que eu nunca havia parado para refletir. Mas agora parece que faz todo o sentido. Quando estamos felizes, poucos detalhes que nos parecem não importantes ficam gravados na memória. Mas quando se chega num estado desse, parece que todos decidem fazer uma revolta e causar o caos.
Agora eu não te vejo mais quando saio. Nem quando fico em casa. Muito menos quando acordo.
O que você estará fazendo num momento desse? Onde estará? Com quem estará afinal?
Está feliz? Viva? Morta? Precisando de mim? Ou desejando voltar atrás em muitos de seus atos?
Malditas perguntas.
Apesar de tudo. De tudo. Eu me consolo caso ela esteja feliz. Esteja bem.
O meu apego por ela me faz isso. Me faz pensar que o que importa afinal de contas. Apesar de tudo. Seja a felicidade dela. Se ela decidiu como tal, é porque lhe fará bem. E é isso que mais importa neste momento.
Sinto falta, sinto saudades. Vou sentir por muito tempo. Principalmente porque ainda não me cai na consciência o real PORQUE de tudo ter acabado, ou acontecido, dessa forma.
Eu sinto sua falta. Olho pra esse maldito espelho e não me vejo.
Cade você reflexo? Onde você se meteu? Minha sombra está aqui, mas cade o reflexo?
Onde estou? Se a vida inteira eu te vi aqui na minha frente, onde quer que eu estivesse. Querendo ou não, era você sempre que eu via.
Que coisa.
Ah, deve ser problema no espelho. Vou trocar por um novo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Something unlike it

um dia eu vou entender
porque tudo de errado acontecia
eu tentava mas não conseguia
asemelha-se à uma profecia
escrita com o meu sangue
direcionada para o fracasso

um dia eu vou entender
porque eu te deixei
porque aquela pessoa morreu
o quanto era importante dizer adeus
quanto tempo eu perdi
achando que tudo é eterno

um dia eu vou entender
que o erro faz parte do correto
que o futuro não se constrói sem passado
que o seu 'adeus' era na verdade um 'olá'
que egoísmo e orgulho andam lado a lado
que o complexo nem sempre é o certo

um dia eu vou entender
que esperar não é poder
que o previsível nem sempre acontece
que o amor não é apenas um sentimento
que você sempre vai existir em mim
mesmo que eu não me reconheça mais

um dia eu vou entender
que um sorriso nem sempre é espontâneo
que o seu abraço não foi tão quente assim
que meus passos seguiram a direção errada
que meus dedos não sentem mais
o dom da vida que havia em você

um dia eu vou entender
o porque aqui eu ainda permaneço
o porque de tantas dúvidas
sem ao menos ter as perguntas certas
o porque do vento ainda me tocar
se nem vivo eu me sinto mais

mas um dia eu vou entender
que errar constrói um carater
que tropeços nos fazem ficar mais alertas
que dizer 'adeus' é normal
e dizer 'olá' é mais normal ainda
que tudo se renova
e que lembranças são para serem guardadas
que a alegria é infinita
para os que sabem o que é tristeza

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Silver, the wild rabbit

Era uma vez um pássaro
não, na verdade era um coelhinho
sim, coelhinho
coelhinho da páscoa
viajando, saltitante e feliz pelos vales aos arredores de Balmora
uma pacata cidade mercante
cheia de orcs, guardas com ebony armor
e uns grupos misteriosos do clã Six House.
Em sua jornada, ele dá um tempo
pra falá com Kajjit, um cara bem descolado
que compra e vende de tudo
até a mãe ele compraria
se tivesse espaço pra guardá-la
Pois bem
o velho, mas não tão velho assim coelhinho
reabastece sua mochila com umas poções de invisibilidade
poções de cura e moon sugar
é, moon sugar, o coelho safado era um lazarento de um drogado
Continuando sua jornada à algum lugar ainda à ser inventado
ele continua sua rota em direção à Caldera
Pra quem ainda não sabe
Caldera é uma cidade ao norte de Balmora, também apelidade carinhosamente de Balmole
Voltando à história e à cidade
Caldera é um pró-pacato vilarejo que só serve pra robar itens de alquimista e pega dinheiro do Trader
então como não havia quase nada para se fazer por lá
o carismático coelhinho da páscoa segue sua "incrrrriiiiivel" aventura rumo ao seu próximo encontro
a cidade de Ald'ruhn, que é uma cidade bem chata
com um povo mal educado
que não deixa você usar o Silth Strider só porque você tem a Mark of Zenithar, que eu nem imagino o que seja
por lá ele só, como um bom coelho safadão, roubou uns itens do quarto de uma "Linda" Orc e seguiu seu rumo
Vendo que ele teria que saltitar muito até a próxima cidade ao norte
Ele encontra uma velha, ligeiramente feia, que o pede, quase que descendo a mão na cara do pobre peludo, que a levasse aos confins de Ghostgate, um tenebroso e vermelho mundo.
Lá, neste misterioso lugar, que é rodeador por um portão mágico gigantemente enorme de grande, ele descobre que adentrando o estabelecimento do perímetro, percebe que aquele não era um alegre lugar para um branquinho e fofinho coelhinho com carinha de dó.
Sabe aquela cara de dó do gatinho do Filme do Shrek?
Então. Não tem nada a ver com aquilo.
Na verdade ele tem aquela cara de esperança quando a carol arremeça uma bola no basquete.
Lá ele encontraria os mais perversos inimigos
e não estou falando de lobo mal e nem bixo papão
mas sim de zumbis, bixos verdes, grandes e que soltam kame-hame-há
então, o velho mas não burro coelho, mata a véia, rouba os itens dela e continua sua vida de mochileiro.
Consultando seu mapa de viagens doado pelos patrocinadores, ele segue ao extremo Leste, à misteriosa cidade chamada Volverine Hall.
Pobre coelho
Se iludiu com as popragandas espalhadas pelo caminho, entre outdoors e placas com lampadazinhas que indicavam o caminho, com dizeres:
'Volverine Hall. 4Km. A cidade do Volverine, venha e conheça a casa onde ele nasceu, os móveis feitos pelas garras dele e muito mais.'
Pobre coelho
iludido pela propaganda capitalista e exploradora, levou o pobre mau elemento aos confins da terra, sem ao menos saber o que o esperava.
Chegando ao dito cujo lugar, descobriu que tudo era uma farsa
e assim, seus olhos ficaram vermelhos [junção de moon sugar + bound TUDO 1000pts]
e matô tudo mundo sem dó nem piedade.
na base das unhadas mesmo, estraçalhando carnes e víceras, quebrando ossos e arrancando olhos com os dentes, agora pelo efeito da poção, dentes como os de um tigre dente-de-sabre
Sim, ele estava igual um Super Sayajin 3, só que mais peludo, e seu rabo ainda continuava um pom-pomzinho.
Enfim
Decepcionado com a falsa propaganda mas ao mesmo tempo feliz
pois extravasou, rodou a baiana e soltou sua raiva, ainda contida por uma decepção em Balmora
Sim, voltando na história onde ele ainda havia apenas chegado à aquela cidade mercante
o coelho se apaixonou por uma senhora, que não me recordo o nome agora
sua função dentre a metrópole era de Pawbroker
que diabos é isso eu não sei
mas era quase um blacksmith, ou para os leigos, uma ferreira que vendia armas, livros e tudo que podia, menos itens de magos e diabo a 4.
Pois bem, ele a amou
com todo seu coração
mas não foi correspondido, e ai se instalou um ódio
uma raiva nunca vista
dentro daquele até então invencível coelho de pêlo branco com manchas cinzas no pescoço e atrás das orelhas.
Tentando esquecer da tragédia e rindo à toda vendo o sangue jorrando da garganta dos ainda vivos
Don Coelho de Lá Mancha, carinhosamente assim chamado por sua prima coelha, chamada Zenithar
mas perai, vamos raciocinar por um momento
este não era o nome do tal Mark of Zenithar que não deixavam o pobre coelho ser feliz em Ald'ruhn?
Ora bolas, descobrimos a charada
a má fama da dita cuja rapariga coelha se alastrou por lugares nunca imaginados
Sim, ela era uma coelha bem 'dadinha', conhecida pelos becos como: "Rabinho Dourado".
E como ela era prima do coelho, a cidade ficou meio assim de tê-lo por perto, já que os maridos das esposas da cidade já eram cúmplices de algo "Dourado" da sua família.
Enfim, voltando ao coelho e seu mar de destruição em Volverine Hall
Sr coelho fica cansado
Sim, os coelhos também cansam e sentem fome
mas nessa história eu não vou ficar escrevendo quando e nem o que ele come
imaginem por si só
apenas dou a dica:
para um ser de Morrowind se alimentar, há duas alternativas: comer os restos de um animal abatido, sem que ele tenha sido morto através de veneno ou por doenças tendo a vantagem de se usar algum poder de fogo para que a comida já morra assada, e também roubar, o que no caso pode ser perigoso para um pobre animal peludo de 30cm de altura.
Ele parece grande?
sim, ELE É GRANDE, ainda mais para um coelho
o motivo? simples. seus pais fizeram um incesto quase que inesperado: uma junção de um nix hound + peixinho com nome estranho + um coelho da bismânia, resultou no nosso protagonista.
apesar dessa incomum cúpula, ele não é feio, apenas "grande", e bota grande nisso.
Ok Ok, voltando à aventura
nosso caro aventureiro decide enfim, depois de muito pensar, em encerrar sua jornada por este mundo "incrrriiiivel", onde tudo pode aconteceeeer
Pois estava cansado e, e, e, porque queria, caralho.
Decidiu então voltar para Neyda Neen, sua cidade natal
Mas viu que não tinha sobrado mais nada de dinheiro, pois antes de liquidar com a raça viva da cidade, ele tinha parado na Taverna e enchido a cara com poções de levitate, e ficou doidão, achando que estava vuando e vendo elefantes cor-de-rosa
na verdade ele estava vuando mesmo, mas eu acho que não eram elefantes mas sim uma vendedora gorda e ogra que vendia a cartela do Jogo-do-Bixo.
ela dizia mais ou menos assim:
"Olha o Nix, olha o Nix hound, só 3 gold, baratiinho. Olha o Skull, 2 skull por 4 gold, promoção do dia. De brinde vai um Wolf Helm pra usar no carnaval. Olha o(...)"
Duro, com fome, cansado, bêbado, com ímpeto assassino, desiludido amorosamente, cheio de sangue, com bolhas nas patinhas, ele decide ir embora de vez, só que a pé
Mas infelizmente a viagem é longa
e bota longa nisso
seu objetivo agora era cruzar o mapa, ou melhor o país, ou melhor aquele mundo quase que inteiro pra voltar pra sua casa, pra tomar seu leite quente com cookies.
Mas o inesperado aconteceu. oohhhhhhh
no meio do caminho, quase perto da favela de Suran, logo após o Orc solitário que tem a espada tesão
ele meio que despercebido do mundo ao redor, depois de uma viagem cansativa usando as Blind Boots, se depara com o mais temido e asqueroso animal existente no universo pseudo-infinito chamado de Morrowind.
Sim, é ele, Cliff Racer
o mais chato bixo que você poderá conhecer
ele nao mede esforços pra te encher o saco, pra ficar te travando enquanto você bate nele e quase 90% das vezes erra
mas o grande e herói coelho decide enfrentar este temível adversário, algo como um troféu pela sua "incrrriiivel" viagem que contará para seus netinhos.
Mas nosso heróis não esperava por um inimigo tão devastador
Na verdade, ele era fraco, mas você sabe
Cliff Racer no caminho, prepare-se para 2 horas de combate
Séculos de estudo ainda não desobriram quem é mais chato, Cliff Racer ou Gary
Até o grito é parecido
Devem ser primos
Mas ok, voltando à batalha
Sr coelho da pascoa luta incansavelmente com o temível Cliff
mas o terrível e óbvio fim acontece
Mr Rabbit of Easter, ou coelhão mesmo
não consegue ser capaz de vencer o terrível vilão e sucumbe aos poderes irritantes e extressantes dos gritos uivantes do Cliff Racer e perde a luta e a vida, consequentemente, não necessariamente na mesma ordem
É claro que seria impossível o pobre coelho ter saído vivo deste confronto
era apenas um mero coelho
branco
com manchas nas patas, no pescoço e umas atrás das orelhas
com uma bolça de couro beje, dado pela tia Jandira de natal
sem nenhuma armadura e apenas uma iron dagger enferrujada, pois esqueceu de levar anti-gripante na bolça
e assim jás Coelho da pascoa, nosso herói
caído aos joelhos do mal feitor [Cliff racer tem joelhos?]
ensanguentado, com as tripas e víceras sendo estraçalhadas
o braço esquerdo arrancado e sendo em tempo real feito um assado com batatas refogadas e cebolas em rodelas
típico prato de Cliff-lândia.
Trágico? Incrrriiiivel? Inesperado ou com um infeliz final?
Não se sabe ao certo
mas esta foi a história dele
o mais corajoso e guerreiro coelho que já foi visto
onde mesmo com todas as dificuldades
toda sua perseverança, toda sua força de vontade
que sempre teve em mente o objetivo de nunca desistir
que no final acabou ajudando em bosta nenhuma
porque ele virou papá de pseudo-gary "Morrowindêz"
se fodeu, morrêu, já eras baby
astalavista Babby rabbit
E assim foi contada, por mais de 2min durante gerações
a história dele
sim
Coelho da pascoa
O senhor de Seyda Neen
e porque não
De todo o Universo.

[como sempre, o Carlos manja =P]

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

The point

- E não é que mudando os ponteiros do relógio com os dedos eu consegui voltar?
- Que bacana. Mas você voltou pra onde?
- Pra quando eu quis mudá-lo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Solitude

Ela olhava para o lado e só via o infinito atraente do mar. Ecoando no sereno frio e sombrio, apenas o som abafado de ondas, degladiando-se sem piedade contra as rochas ali permanentes, imóveis à milênios como se fizessem parte daquele cenário somente logo depois que ela havia chegado à aquele local.
Eram 7:27 da noite de uma Quarta-Feira. Estava pensativa, sentada em um pedaço de pedra suja de terra. Mas ela não se importava, estava apenas olhando para o horizonte, esperando por algo depois do Pôr-do-Sol.
Esperava que algo a fizesse sorrir, que a fizesse esquecer de todas as coisas que a ocorreram aquele dia. Fazê-la esquecer, que com os olhos cheios de lágrimas, pegou o carro de sua mãe num desespero insensato, disparando-se para lugar qualquer, sem querer olhar para trás, sem querer relembrar os últimos minutos, sem querer ter forças para continuar respirando.
Seu nome era Judy. Nome dado por sua avó que nunca conheceu. Morreu antes mesmo dela ter nascido. Gostava de seu nome. Não sabia o porque, mas parecia que combinava com sua personalidade passiva, mas decidida.
Os pensamentos iam e vinham, num rebuliço sem tréguas, quase lhe causando náuseas, pois não havia comido nada aquele dia.
Foi um dia que ela não conseguia rotular. Era como se ela nunca esperasse que a fosse acontecer. Seu pai, sua mãe, a tia que ela adorava desde pequena. Porque todos, porque eles, ela se perguntava.
A noite caia à dentro. Judy já não queria mais pensar.
Estava tentando esvaziar a sua mente, mesmo que fosse tão difícil quanto imaginado. Queria que suas atitudes fossem tomadas por impulsos, coisa que ela sempre achou sem nexo, pois adorava ter o controle e a sensatez de sua ações. Mas ali já não importava mais. Nada lhe importava mais.
Era só ela, a noite que adentrava perante seu olhar concentrado no nada, e o barulho das ondas desaparecendo por dentre as pedras lá embaixo.
De repente, num estouro repentino, tomou-se de pé. Olhando fixamente acima da linha do peito, ela deu um passo à frente, tentando entender porque o fez.
Não conseguia fixar ainda um pensamento. Era tudo turvo e confuso. Ela nunca tinha se sentido assim antes, nem mesmo quando seus pais se separaram quando tinha 9 anos. Ela ainda se lembrava das noites, em que sua mãe se trancava no quarto e podia escutar os lamentos e choros do amor abalado e perdido. Ela não conseguia entender na época, nunca tinha passado pelas desilusões e alegrias de se amar. Dos atos sem pensar e das noites que se sentiria como a sua mãe, em outrora.
Ali agora, à 3 passos da beirada de um desfiladeiro, à 25Km do centro da cidade, onde morava; Judy dava mais um passo à frente. Conseguiu enfim fixar um pensamento. Se sentiu horrorisada por ter a capacidade de ter pensado nisso. Sempre foi de pensar muito antes de fazer qualquer coisa. Um erro, dizia o seu pai -- que era um homem moderadamente liberal e gostava de passar as noite em conjunto de amigos, bebendo e se divertindo, aproveitando a vida como ele mesmo diria.
E mais um passo à frente lhe leva para quase um caminho sem volta. Não estava mais pensando coisa com coisa. Relembrava de momentos importantes da sua vida. Cenas de seus pais, cenas isoladas, festas com as suas melhores amigas, situações difíceis que passou e não contou para ninguém. E mais um passo foi dado.
Neste momento, ela já sabia o que fazer. Já não tinha mais volta. Enfim percebeu o que estava fazendo. Estava desistindo. Não apenas dela, mas de tudo, todos. Dos amigos, das coisas, dos sentimentos, das lembranças, até mesmo das coisas que virão, pois o seu seguinte passo não à deixou pensar.
Pois durou apenas 4 segundos, até desaparecer dentro da escuridão e assim completar o seu ciclo. O seu ciclo de 24 anos de inexistência.
Judy, 24 anos de idade. Moradora de uma pacata cidade. Era portadora de uma doença chamada Amor.

The forest - Part 1 - The bolt

"Este chão está frio!."
Esta foi a única coisa que eu consegui dizer com confiança. E eu disse pra mim mesmo, em voz alta, pois não havia ninguém por perto. Pouca coisa fazia sentido no final. Estava tudo muito confuso. A minha cabeça, principalmente. Eu não me recordo se estava frio mesmo, ou se era só onde eu estava caído, ou se os meus sentidos não estavam mais correspondendo com a realidade. Mas eu realmente estava com frio, mesmo "pegando fogo". Na realidade tinha um ponto do corpo que eu não sentia frio, e nem calor. Não sentia nada. Era na região do peito, mais precisamente no coração. Agora vocês pensam: "Puxa vida. Eu esperando uma história interessante e vem você falar de metáforas que ficam na cara que é sobre o amor. Esse negócio de dor no peito e não sei o que." É, parece, mas não é bem isso. Na verdade o meu peito dilacerado não provinha de uma metáfora. Ele estava realmente ferido. Uma flecha. Uma flecha prata, talvez feita de alumínio, ou um aço bem polido, havia atravessado minha caixa toráxica um pouco à esquerda do meu peito. Não sei se foi bem no coração, talvez eu ja estivesse morto se fosse assim. Por sorte ou azar, não me feriu mortalmente, mas foi o necessário para me imobilizar. Não dói, não sangra. Acho até estranho, pois em filmes eles sangram horrores, gritam de dor, ou simplesmente caem num ato dramático, duros feito estátuas de concreto durante uma manifestação anárquica. Depois do apagão, me vi no chão, caído. Parecia que meus musculos não respondiam mais. Tinham se cansado de mim. Eu não vi flecha na hora, não vi cores, mas apesar disso, parece que tudo ficou mais longe, numa cor envelhecida, parecendo estar num filme antigo, meio desbotado. A flecha entrou, se alojou e ficou quieta, imóvel, imparcial. Ela não tem culpa, é serva de uma arma provavelmente de mão humana. Mas quem? e além disso, por quê? Eu nunca estive nesta parte da floresta. Será isto um motivo? Alguém que não queria q eu estivesse aqui, que eu estivesse vendo algo proibido? As perguntas até tem um nexo, tirando a parte onde poderia ter havido uma conversa, ou até mesmo uma discussão, um aviso instrutivo, ou ameaçador. Que mal teria? Eu nem conheço essa parte da floresta. Sempre fui de passar as minhas horas de folga no parque central, onde todos se reunem nos finais de semana para se diverir, brincar com seus cachorros, filhos, tirar o stress do dia-a-dia. Meu espírito aventureiro me levou a observar que havia uma parte mais isolada do parque que não tinha ninguém por perto. Um ar de floresta medieval. Me senti adentrando uma floresta das histórias do Senhor dos Anéis ou Rei Arthur. Tinha aparêcia de velha, era escura, parecia virgem, uma tentação a ser decifrada com a minha curiosidade. Logo que entrei, deu para perceber que era mais longa do que havia imaginado. Não dava pra ver muito longe, a mata era meio alta, intercalando entre arbustos e grandes árvores que pareciam ter séculos de existência. A última coisa que eu lembro era ter me abaixado para examinar um objeto metálico caído entre as raízes daquela grande árvore que havia ali. Quando me levantei rapidamente senti que o ar falhou, o chão sumiu e nem mesmo eu me vi caindo. Apenas acordei aqui, imóvel, perdido nestas perguntas. Mas afinal, por quê? Como? Por que comigo? Será que poderei achar estas respostas antes que o final cruel e inevitável chegue?
"Opa! Que barulho foi esse?"

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mistake

- O que você está fazendo aqui? Nós não temos mais nada para conversar.
- Calma, calma. Sem stress, eu só vim aqui...
- Calma nada. Você depois de tudo que fez, quer ainda conversar? Dá um tempo.
- Mas nós precisamos conversar um pouco, nada ficou tão resolvido assim, e não podemos deixar como está.
- Ah podemos sim. Eu já ouvi o bastante por esta semana. Você não sabe como sofri ouvindo tudo aquilo e sabendo o que fez.
- Mas bah. Eu já te disse, e vo lhe repetir. Eu sinto muito, e sinto mesmo. Nunca quis te magoar. É que as coisas foram acontecendo e eu não consegui ter controle de nada.
- Pra você é facil falar né. Não foi você quem se ferrou no final. Só se lamentou e tudo bem, seguimos a vida.
- É. Acho que eu ter vindo aqui foi uma má idéia. Você mesmo que um dia me entenda, nunca vai aceitar que tudo terminou dessa maneira. Ainda mais você sendo tão teimoso como é.
- Eu teimoso? Me prove isso.
- Te provar? Ah cai na real né. Você sempre foi carrancudo, sempre achando que está certo em tudo. Tomando o espaço de quem quer que seja. Nunca sucumbe aos seus erros. Pessoas assim não tem moral nenhuma pra dizer se eu fiz algo certo ou errado.
- Puxa, mas eu nunca quis ser assim.
- Mas foi. Na verdade, você continua sendo, e acho que nunca vai mudar. Talvez eu tenha feito a coisa certa, afinal. Eu não ia aguentar mais nenhum minuto perto de você. Aguentei mais do que eu imaginava. Sempre me alertaram, mas meu amor por você era grande o suficiente para disfarçar.
- Nossa, eu não sabia que você se sentia assim. Você nunca me disse nada. Achei que estava fazendo tudo certo para nós dois.
- É, mas pensou errado. A gente sempre teve brigas bobas. Eu sempre enguli tudo e fiquei quieta.
- Me desculpe se eu te fiz tão mal e nem percebi.
- Até aceito suas desculpas, mas agora é tarde. Acho que encerramos por aqui o nosso assunto né? Não precisamos mais voltar nisso. Cada um segue a sua vida da maneira que mais lhe agrada, e fica assim.
- Não poderiamos nem ao menos tentar nos entender denovo? Tentar recomeçar?
- Ah meu filho. Acho que já tentamos por muito tempo. Vejo que não tem porque nos ferirmos mais com isso.
- Ah, que seja como você queira, então. Não vou mais insistir em nada. Você sabe muito bem o que faz.
- É, sei sim. E acho que estou fazendo a coisa certa, e só o futuro vai nos dizer.
- Tranquilo, tranquilo. Mas acho então, que se não podemos ficar juntos, ninguém vai ficar entre nós.
- Por que você está me olhando com essa cara? Eii, que é isso ai?
- Um presente pra você. Por me deixar assim, por me fazer sofrer.
- Ah, vai me culpar agora? E você nem teria coragem de puxar esse gatilho. Você sempre foi de ameaçar mas no final sempre escorrega nos seus próprios medos.
- E o que você acha que eu tenho a perder agora?
- Ah, eu nem vou esquentar a cabeça, você nunca faria isso. Você sempre foi de pensar 2x quando era uma situação onde você poderia se encrencar. De certo modo sempre foi egoista.
- Hum, até que você tem razão. Mas se eu te dizer que vou fazer isso sem pensar? Talvez assim eu possa me redimir dessa sua opinião.
- Haha, eu duvido.
- Bela resposta.



Matar sua própria consciência não é o meio mais fácil de resolver os problemas.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Chance

- Puxa vida! E eu achando que mudando com os dedos os ponteiros do relógio, eu poderia voltar naquele momento.
- E quem disse que você não pode?

terça-feira, 18 de novembro de 2008

The breath

Dia de chuva. Dia nublado, neve, ar cinza sabor Europa. Trilhos de trem. Uma conversa.
- O senhor poderia me informar se mais alguém passa por estes trilhos desertos todos os dias?
Um olhar desconfiado, mas polido.
- Que eu saiba, não senhor. É um caminho solitário, sempre ando por aqui todas as manhãs e nunca vi ninguém por estas redondezas.
Alguns segundos em silêncio. E parecendo não se importar com o que o homem diz.
- Qual seu nome?
- Todos me chamam de Unsterblich. Fui para duas guerras mundiais e ainda estou aqui, por isso esse apelido.
- É que eu acho que estou perdido. É a minha primeira vez aqui na Alemanha depois dos acontecimentos da decada de quarenta. Muita coisa mudou desde lá - diz com olhos negros fixos.
- As bombas não caem mais do céu, a fúria nos olhos ainda existe, mas são poucos. Já que aqui ficavam concentrados os exercitos da Alemanha em 1942, poucos querem passar por estas bandas.O medo pôs mais descência em seus caráters. É uma sorte tremenda ainda estarmos vivos. Eu estar vivo.
- Entendo! - disse.
Retribuindo o olhar, diz.
- O senhor está indo para onde?. Por que todas essas perguntas? O que te atraz aqui. É alguém do novo governo? Do estrangeiro?.
- Algo assim - balbuciou. - Na realidade, as perguntas foram apenas para passar o tempo. Seu nome é que era a rasão de eu estar aqui.
Num breve momento, o brilho nos olhos desaparece, deixando um rastro de um branco opaco. E neste caminho, por entre os trilhos de antigos trens nazistas, a única coisa que sobrou foram as pegadas na neve de um sujeito de poucas palavras, misterioso. Uma tal de morte.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

One after another

Em outrora, eu lhe diria tudo que sinto, sem cerimonias, direto e objetivo. Hoje, na verdade, eu não sei o que dizer. Você, talvez, pense da mesma forma. Eu vejo isso no jeito que me olhas. As frases se formam, mas se esvairecem com rapidez. Que saudade dos dias em que não precisávamos de palavras para nos expressarmos. Que saudade!